Durante visita de campo da UFSCar, cacique e outras lideranças colocam a demanda a ser enfrentada.
Buri-SP
23/03/2026
Uma Universidade financiada pelo povo e que deve servir ao povo. É com isso em mente que discentes do 4º ano de Engenharia Ambiental da UFSCar, campus Lagoa do Sino, estão desenvolvendo projeto de sistema de bombeamento de água voltado a uma comunidade indígena no litoral do Rio de Janeiro. A iniciativa compõe as atividades do mesoconteúdo "Modelos computacionais para sistemas ambientais", ministrado pelo professor Jorge Pantoja.
A proposta coloca os estudantes diante de um desafio real: simular computacionalmente um sistema de bombeamento de água para a aldeia Itaxim, do povo Guarani M'Biá, localizada em Paraty Mirim (RJ). O trabalho parte de uma demanda apresentada diretamente por lideranças indígenas durante visita técnica realizada em outubro de 2025.
Os recursos para execução já estão garantidos e o trâmite é mediado pelo Ministério dos Povos Indígenas (MPI).
Engenharia aplicada a contextos reais
A atividade utiliza o software específico amplamente empregado na análise de sistemas de água. Com ele, os estudantes constroem cenários que simulam desde a captação da água até sua reservação, passando pela etapa de bombeamento. Entre os principais desafios técnicos estão a definição da vazão de projeto, o dimensionamento das tubulações e a escolha da bomba adequada. Além disso, os estudantes precisam avaliar perdas de carga, pressões na linha e o desempenho do sistema em diferentes cenários de consumo.
A proposta objetiva ir além da teoria, colocando os estudantes para trabalhar com uma situação concreta, que exige tomada de decisão, análise crítica e sensibilidade social. Não se trata apenas de calcular o sistema, mas de propor soluções viáveis e adequadas ao contexto de comunidades vulneráveis.
Integração entre técnica e realidade social
Um dos diferenciais da atividade é a necessidade de adaptação do projeto à realidade da comunidade indígena. Os estudantes devem considerar fatores como baixo custo, facilidade de manutenção e respeito às práticas culturais relacionadas ao uso da água. Também são exigidas reflexões sobre sustentabilidade energética, como o uso de energia solar para o bombeamento, e proteção da fonte hídrica, aspectos essenciais em territórios tradicionais.
A proposta inclui ainda a análise de cenários críticos, como períodos de estiagem ou picos de consumo, buscando garantir a resiliência do sistema projetado diante do cenário de mudanças climáticas.
Formação profissional com impacto social
Como resultado final, cada estudante deverá entregar um relatório técnico e um vídeo explicativo, apresentando desde o diagnóstico inicial até os resultados das simulações. Os projetos serão avaliados com base na qualidade da coerência técnica e capacidade de análise crítica. A iniciativa está em consonância com uma tendência crescente na formação em engenharia, que é aproximar o ensino acadêmico de demandas reais da sociedade. Os estudantes têm a oportunidade de desenvolver não apenas competências técnicas, mas também uma visão mais ampla sobre o papel social da engenharia.
A expectativa é que experiências como essa contribuam para formar profissionais mais preparados para atuar em contextos diversos, especialmente em áreas onde o acesso à água ainda representa um desafio significativo.